23 fevereiro 2010

Uma tragédia não é uma calamidade...

Parece que a tragédia que assolou a Madeira, segundo o governo regional, não é uma calamidade. Diz que é por causa do turismo. Parece-me bem. Aos turistas que continuarem a chegar à ilha - aqueles que não leram as primeiras páginas dos jornais de todo o mundo - entregam-se uns postais parecidos com este da imagem e decerto que nem notarão a devastação das cidades, a destruição das infraestruturas, as pontes desabadas, as vias de comunicação interrompidas, as casas esventradas, os automóveis amontoados e a população a tentar retomar, penosamente, a normalidade.
Tragédia talvez. Calamidade nunca...
PS - Não sei porquê, lembrei-me do filme "Morte em Veneza" e do maitre d'hotel a garantir ao protagonista que "esses boatos de insalubridade são falsos" enquanto o adagietto da 5ª de Mahler nos assegurava o contrário...

9 comentários:

astracan disse...

O Alberto escanqueirou-nos(é assim que se escreve?)a porta do seu gabinete. Vamos lá a cozinhar a "verdade" para inglês ver- desta vez não se declara o estado de calamidade pública por causa dos turistas... e de outras vezes, o que é que se faz, não se faz ou se não diz? O patético é que ele nem se apercebe que vai nú. Imagens do dilúvio da Madeira, há por tudo o que é sítio na net e jornais. Fico a pensar é nos mecanismos legais de auxílio às vítimas que são despoletados em caso de calamidade. Se ela não for oficialmente declarada, a calamidade, são despoletados na mesma? Fica a questão.

Francisco Castelo Branco disse...

Concordo com ele.
Nao havia razoes nem humanas nem materiais para se declarar o estado de calamidade.
Teria que haver razões excepcionais para que isso acontecesse.
Como um numero absurdo de mortos

expressodalinha disse...

Mas não é irrelevante a classificação? Não será mórbido esacarafunfar o número de mortos? Porque não vão ajudar a normalizar as Quebradas?!

Al Kantara disse...

Francisco : ainda bem que aquilo que aconteceu na Madeira nem materialmente, nem humanamente apresenta razões excepcionais para ser considerado uma calamidade. Sou eu que tenho tendência para ser alarmista...

Expresso : As classificações não são dispiciendas. Até porque têm convenientes e inconvenientes. Ponderados todos, os governos (regional e central) acham por bem não declarar o estado de calamidade. Eu limito-me a registar.

astracan disse...

Francisco: Razóes excepcionais, não há? Humanas, Materiais?
Número "absurdo" de mortos? É absurdo a partir dos quantos?Expresso: Nem por mim passou a ideia de escarafunchar fosse o que fosse(a não ser os escombros para encontrar eventuais sobreviventes). A classificação só não é irrelevante na medida em que haja, se leste o meu comentário, medidas de apoio que sejam despoletadas consoante a classificação. Evidente que a classificação pela classificação é irrelevante. Olha, obrigado.

Francisco Castelo Branco disse...

Quando se tratar de uma tragedia de dimensões gigantescas.
E ha que cumprir com certas formalidades.
Para alem de prejudicar a imagem da Madeira.
Nao havendo beneficios com o facto de se declarar o estado de emergência.

astracan disse...

Isto das dimensões gigantescas tem muito que se lhe diga... e das formalidades também. O contéudo, submete-se sempre à forma?

roserouge disse...

É hoje, não é? Pensavas que este ano me esquecia?! O dia do Big 50! Muitos parabéns! ehehehe...

Al Kantara disse...

É hoje, é. Obrigado rose.